Tudo o que hoje preciso realmente saber, aprendi no jardim de infância...
Tudo o que hoje preciso realmente saber, sobre como viver, o que fazer e como ser, eu aprendi no jardim de infância. A sabedoria não se encontrava no topo de um curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo dia.
Estas são as coisas que aprendi:
1. Compartilhe tudo;
2. Jogue dentro das regras;
3. Não bata nos outros;
4. Coloque as coisas de volta onde pegou;
5. Arrume sua bagunça;
6. Não pegue as coisas dos outros;
7. Peça desculpas quando machucar alguém; mas peça mesmo !!!
8. Lave as mãos antes de comer e agradeça a Deus antes de deitar;
9. Dê descarga; (esse é importante)
10. Biscoitos quentinhos e leite fazem bem para você;
11. Respeite o limite dos outros;
12. Leve uma vida equilibrada: aprenda um pouco, pense um pouco... desenhe... pinte... cante... dance... brinque... trabalhe um pouco todos os dias;
13. Tire uma soneca a tarde; (isso é muito bom)
14. Quando sair, cuidado com os carros;
15. Dê a mão e fique junto;
16. Repare nas maravilhas da vida;
17. O peixinho dourado, o hamster, o camundongo branco e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem... nós também.
Pegue qualquer um desses itens, coloque-os em termos mais adultos e sofisticados e aplique-os à sua vida familiar, ao seu trabalho, ao seu governo, ao seu mundo e vai ver como ele é verdadeiro, claro e firme. Pense como o mundo seria melhor se todos nós, no mundo todo, tivéssemos biscoitos e leite todos os dias por volta das três da tarde e pudéssemos nos deitar com um cobertorzinho para uma soneca. Ou se todos os governos tivessem como regra básica, devolver as coisas ao lugar em que elas se encontravam e arrumassem a bagunça ao sair. Ao sair para o mundo é sempre melhor darmos as mãos e ficarmos juntos. É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.
"O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem souber ver"...
Por Pedro Bial
segunda-feira, julho 26, 2010
quarta-feira, julho 21, 2010
Quase
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Por Sarah Westphal
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Por Sarah Westphal
Ciclo da Vida
A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara pra faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando….
E termina tudo com um ótimo orgasmo!!! Não seria perfeito?
Por Charles Chaplin
E termina tudo com um ótimo orgasmo!!! Não seria perfeito?
Por Charles Chaplin
Amizade Verdadeira
Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.
Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
Por Albert Einstein
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.
Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
Por Albert Einstein
Seja um idiota
A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz!
A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele. Milhares de momentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha!…
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema? É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas… a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida – e esse é o único “não” realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir… Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora? “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios”.
“Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche”.
Por Arnaldo Jabor
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz!
A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele. Milhares de momentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha!…
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema? É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas… a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida – e esse é o único “não” realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir… Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora? “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios”.
“Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche”.
Por Arnaldo Jabor
sábado, julho 17, 2010
Eu não me importo...
Eu não me importo se você lamber janelas, jogar pedra em avião, ou querer bater prego com a testa, às vezes eu também cometo umas loucuras.
Mas lembre-se, todos os sessenta segundos que você gasta irritada, perturbada ou louca, é um minuto de felicidade que nunca mais vai voltar!
Pare, liberte-se das energias negativas, escute uma boa música e dance!
A vida é curta, quebre as regras, se apaixone, beije demoradamente, ame verdadeiramente, ria incontrolavelmente, e nunca deixe de sorrir, por mais estranho ou pequeno que seja o motivo.
A vida não pode ser a festa que esperávamos todos os dias, mas enquanto estamos aqui, devemos procurar dançar sempre que der.
Se formos esperar somente aqueles momentos mágicos, grandiosos e super raros, desperdiçaremos a capacidade de nos alegrarmos com as pequenas coisas do dia-a-dia, a felicidade parecerá algo distante e raro.
Por Autor Desconhecido
Indicado e adaptado por Marcelo Barbosa (Do amigo que você diz que sou...)
Mas lembre-se, todos os sessenta segundos que você gasta irritada, perturbada ou louca, é um minuto de felicidade que nunca mais vai voltar!
Pare, liberte-se das energias negativas, escute uma boa música e dance!
A vida é curta, quebre as regras, se apaixone, beije demoradamente, ame verdadeiramente, ria incontrolavelmente, e nunca deixe de sorrir, por mais estranho ou pequeno que seja o motivo.
A vida não pode ser a festa que esperávamos todos os dias, mas enquanto estamos aqui, devemos procurar dançar sempre que der.
Se formos esperar somente aqueles momentos mágicos, grandiosos e super raros, desperdiçaremos a capacidade de nos alegrarmos com as pequenas coisas do dia-a-dia, a felicidade parecerá algo distante e raro.
Por Autor Desconhecido
Indicado e adaptado por Marcelo Barbosa (Do amigo que você diz que sou...)
quarta-feira, julho 14, 2010
ANTEONTEM
Anteontem, eu sonhei que havia partido, mas não para todo o sempre, pela eternidade afora. Eu havia partido com um sorriso estranho nos olhos e o tempo a tiracolo, pronto para me mostrar o caminho de volta, quando ele tivesse vontade.
Ao meu lado ninguém e nada, a imensidão das coisas, a amplidão dos sentimentos. Pisando em horas envaidecidas de tanta fascinação pelo silêncio. Horas adoram o silêncio. E o silêncio é o amante secreto da hora inexata na qual o certo desacontece.
Nenhuma palavra saindo da minha boca. Cada sentido no seu canto, feito espectador do som em forma de fado. Jamais atravessavam meu caminho as solidões cultivadas no diariamente. Jamais antes de anteontem.
No meu sonho eu era - além de temente aos acalantos dos trovões - uma fazedora de sei lá o quê. Assumida tal função, eu vivia trançando verdades, alimentando segredos inexistentes. Tudo era uma questão de cenário, ainda que a minha volta: nada. Ninguém.
E houve essa noite em que me senti tão cansada que pensei que se parasse jamais me levantaria novamente. Arrastei-me por quilômetros de inseguranças. Alavanquei vicissitudes desmedidas e acompanhei uma orquestra de saudades, mas aos prantos.
Enchi o mar de dolência cultivada. Brotaram espelhos d’água, e eu me vi ao avesso, reflexo surrealista.
Que o desejo soprou meus cabelos, e embora caminhando tão lentamente, como em cena de filme em preto e branco, slow motion, a língua desandou a dizer palavras inventadas, louca por criar um dialeto para lhe fazer companhia, depois de séculos de autodesentendimento. E muros se tornaram pontes. Casas vazias se transformaram em varandas amparadas por paisagens que, anteontem, encontravam-se escondidas por deuses. O impossível se transformou em mãos dadas ao toque da tolerância, da justiça. Apelidou-se possibilidade, fez-se avatar se dobrando ao afago do vento.
Deuses gostam de brincar de gente, por isso jogam nossos corações para lá e para cá, pinguepongueando nossos sentimentos. Sentam-se à beira dos seus paraísos e parafraseiam personagens de reality shows. Deuses querem brincar de gente, contanto que possam voltar para casa, como um milhão e sei lá quantos milhares de homens e mulheres jamais voltarão, após empunharem armas em guerras das quais não compreendem a biografia. Das quais o sentido faz sentido nenhum.
Anteontem eu sonhava em juntar dinheiro para comprar uma casa. Nessa casa moraríamos eu e meus absolutismos frágeis. Não tenho amante, marido ou filhos, tampouco herança para deixar a quem. Mas um lar de minha propriedade marcaria minha história nos formulários do imposto de renda. A prova cabal de que existi. E permitiria aos que me procurassem, quando fosse tarde demais para haver presença minha neste planeta, que encontrassem ao menos o resquício da minha existência burocrática.
Porém eu não existia até anteontem. Passos leves demais, voz contida de um tanto, engolindo desejos e celebrações e ganhos e despedidas e toda aquela timidez em gritar necessito de!
Anteontem me colocou para caminhar nessa trilha, alardeando que, se alguém quisesse me seguir, alcançar-me, segurar minha mão da vida à morte à vida ao rumo de todas aquelas perguntas sem respostas, agora é a hora.
Aceita um pouco de mim?
Anteontem eu sonhei que me partiram ao meio e me transformei em dois distintos continentes. Às vezes, dormia em um deles e, noutras vezes, acampava em outro. Em um me chamavam mãe, no outro, pai. Havia também os que teimavam em tentar me emendar, mas confesso que apreciava o oceano que me dividia, e os dias em que não fazia diferença de que lado estava, pois era um dia inteiro sem sentir falta de.
Anteontem me lançou ao agora. E me sinto tão fria, a pele arrepiada, batendo os dentes. O bafo do sol em quarenta graus de destempero, mas meu sangue congela. Fria como aqueles que tomam as decisões mais importantes sem se aterem ao que se perde nessa escolha. Quantos ideais e verdades, quantas vidas.
Volto para casa, desabitada de sinfonias ou do alvoroço dos shows de rock’n roll. Desamparada pelos significados conhecidos. A alma co-habitada pela ignorância sobre rotas de fuga. De certa forma vazia, feito folha em branco esperando palavras. Pronta para sabe-se lá o quê.
Por Carla Dias
Ao meu lado ninguém e nada, a imensidão das coisas, a amplidão dos sentimentos. Pisando em horas envaidecidas de tanta fascinação pelo silêncio. Horas adoram o silêncio. E o silêncio é o amante secreto da hora inexata na qual o certo desacontece.
Nenhuma palavra saindo da minha boca. Cada sentido no seu canto, feito espectador do som em forma de fado. Jamais atravessavam meu caminho as solidões cultivadas no diariamente. Jamais antes de anteontem.
No meu sonho eu era - além de temente aos acalantos dos trovões - uma fazedora de sei lá o quê. Assumida tal função, eu vivia trançando verdades, alimentando segredos inexistentes. Tudo era uma questão de cenário, ainda que a minha volta: nada. Ninguém.
E houve essa noite em que me senti tão cansada que pensei que se parasse jamais me levantaria novamente. Arrastei-me por quilômetros de inseguranças. Alavanquei vicissitudes desmedidas e acompanhei uma orquestra de saudades, mas aos prantos.
Enchi o mar de dolência cultivada. Brotaram espelhos d’água, e eu me vi ao avesso, reflexo surrealista.
Que o desejo soprou meus cabelos, e embora caminhando tão lentamente, como em cena de filme em preto e branco, slow motion, a língua desandou a dizer palavras inventadas, louca por criar um dialeto para lhe fazer companhia, depois de séculos de autodesentendimento. E muros se tornaram pontes. Casas vazias se transformaram em varandas amparadas por paisagens que, anteontem, encontravam-se escondidas por deuses. O impossível se transformou em mãos dadas ao toque da tolerância, da justiça. Apelidou-se possibilidade, fez-se avatar se dobrando ao afago do vento.
Deuses gostam de brincar de gente, por isso jogam nossos corações para lá e para cá, pinguepongueando nossos sentimentos. Sentam-se à beira dos seus paraísos e parafraseiam personagens de reality shows. Deuses querem brincar de gente, contanto que possam voltar para casa, como um milhão e sei lá quantos milhares de homens e mulheres jamais voltarão, após empunharem armas em guerras das quais não compreendem a biografia. Das quais o sentido faz sentido nenhum.
Anteontem eu sonhava em juntar dinheiro para comprar uma casa. Nessa casa moraríamos eu e meus absolutismos frágeis. Não tenho amante, marido ou filhos, tampouco herança para deixar a quem. Mas um lar de minha propriedade marcaria minha história nos formulários do imposto de renda. A prova cabal de que existi. E permitiria aos que me procurassem, quando fosse tarde demais para haver presença minha neste planeta, que encontrassem ao menos o resquício da minha existência burocrática.
Porém eu não existia até anteontem. Passos leves demais, voz contida de um tanto, engolindo desejos e celebrações e ganhos e despedidas e toda aquela timidez em gritar necessito de!
Anteontem me colocou para caminhar nessa trilha, alardeando que, se alguém quisesse me seguir, alcançar-me, segurar minha mão da vida à morte à vida ao rumo de todas aquelas perguntas sem respostas, agora é a hora.
Aceita um pouco de mim?
Anteontem eu sonhei que me partiram ao meio e me transformei em dois distintos continentes. Às vezes, dormia em um deles e, noutras vezes, acampava em outro. Em um me chamavam mãe, no outro, pai. Havia também os que teimavam em tentar me emendar, mas confesso que apreciava o oceano que me dividia, e os dias em que não fazia diferença de que lado estava, pois era um dia inteiro sem sentir falta de.
Anteontem me lançou ao agora. E me sinto tão fria, a pele arrepiada, batendo os dentes. O bafo do sol em quarenta graus de destempero, mas meu sangue congela. Fria como aqueles que tomam as decisões mais importantes sem se aterem ao que se perde nessa escolha. Quantos ideais e verdades, quantas vidas.
Volto para casa, desabitada de sinfonias ou do alvoroço dos shows de rock’n roll. Desamparada pelos significados conhecidos. A alma co-habitada pela ignorância sobre rotas de fuga. De certa forma vazia, feito folha em branco esperando palavras. Pronta para sabe-se lá o quê.
Por Carla Dias
AQUILO QUE DÁ NO CORAÇÃO
Aquilo que dá no coração e nos joga nessa sinuca que faz perder o ar e a razão e arrepia o pêlo da nuca.
Aquilo reage em cadeia, incendeia o corpo inteiro, faísca, risca, trisca, arrodeia dispara o rito certeiro.
Avassalador
Chega sem avisar, toma de assalto, atropela, vela de incendiar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar, chega, nem pede licença, avança sem ponderar
Aquilo bate, ilumina, invade a retina, retém no olhar , o lance que laça na hora, aqui e agora, futuro não há
Aquilo se pega de jeito, te dá um sacode pra lá de além
O mundo muda, estremece, o caos acontece, não poupa ninguém
Avassalador...
Aquilo que dá no coração, que faz perder o ar e a razão.
Aquilo reage em cadeia
Incendeia
Por Lenine
Aquilo reage em cadeia, incendeia o corpo inteiro, faísca, risca, trisca, arrodeia dispara o rito certeiro.
Avassalador
Chega sem avisar, toma de assalto, atropela, vela de incendiar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar, chega, nem pede licença, avança sem ponderar
Aquilo bate, ilumina, invade a retina, retém no olhar , o lance que laça na hora, aqui e agora, futuro não há
Aquilo se pega de jeito, te dá um sacode pra lá de além
O mundo muda, estremece, o caos acontece, não poupa ninguém
Avassalador...
Aquilo que dá no coração, que faz perder o ar e a razão.
Aquilo reage em cadeia
Incendeia
Por Lenine
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