sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Conselho de um velho apaixonado

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou um presente divino:

O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e, em troca, receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...
Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela...
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!

Por Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Diário de um regime

Dia zero

Chega, não dá mais. Começo hoje minha dieta. Chega de empurrar as coisas com a barriga. E literalmente com a barriga mesmo. A minha está enorme. A meta é perder 5 quilos. Passei a vida no efeito "sanfona", emagrecendo-engordando, engordando-emagrecendo. É bem verdade que hoje em dia é diferente, nos últimos tempos estou mais constante: engordando-engordando-engordando-engordando. Vou ao médico amanhã, mas desde hoje já cortei doces, bolos, refrigerantes. Ou seja, tudo aquilo que ele vai cortar amanhã.

Primeiro dia

Amei o médico, amei a dieta, amei tudo. Você come muito. Muita água, muito grelhado, barrinhas, gelatina diet e verde à vontade. Uma coisa razoável, levando em consideração as loucuras que as pessoas fazem para emagrecer. A dieta do limão, por exemplo, que dura quinze dias. No primeiro dia, um limão, no segundo, dois limões, no terceiro, três... até completar quinze limões no décimo quinto dia. Um amigo meu fez essa dieta, e realmente emagreceu. Depois teve um princípio de úlcera, mas ficou magrinho. Agora inventaram a dieta do sol: você não come nada até o sol se pôr. O tipo de dieta que não pode ser feito no Pólo Norte, por exemplo. A mais absurda foi a dieta da ave-maria. Toda vez que você tem fome, você reza uma ave-maria. Loucura! Bom, mas o que importa é que eu estou superanimada e não tem nada que vá me fazer perder o humor.

Segundo dia

Tive aquela dor de cabeça chata devido à hipoglicemia, mas normal, nada que duas Neosaldinas não resolvam. Na verdade duas não resolveram mesmo, eu tive de tomar quatro. Mudanças em alimentação sempre causam essas coisas no corpo. Já sei que daqui a pouco vão aparecer espinhas, coisas assim, mas isso é só porque o corpo está se limpando, depois passa. É verdade também que a dieta vai influenciar seu humor, às vezes seu sono, mas tudo passa. E eu já estou sentindo resultados. Minha barriga está menor. Também, ela só anda vazia. Na verdade, isso já é o efeito do estômago encolhendo. Não tem aquela operação que as pessoas fazem para reduzir o estômago? É igual, só que sem anestesia.

Quinto dia

Estou impressionada com a minha força de vontade. Não tenho escorregado nem um pouquinho na dieta. Que nem dieta é, e sim "reeducação alimentar". Dieta dá a impressão de que, assim que você chegar ao seu peso, vai comer tudo de novo, até ficar uma anta e ter de recomeçar a dieta. Eu estou aprendendo a comer, é para a vida. Repita: "Eu como para viver e não vivo para comer". Alguém precisa comer lasanha à bolonhesa, risoto de funghi, moqueca de frutos do mar? Bobagem, pequenas fantasias que não fazem falta a ninguém. Um aborígine na Austrália sobrevive sem nada disso, donde se conclui que são meros dados culturais sem a mínima importância. Aliás, de que se alimentam os aborígines?

Sexto dia

Hoje foi o aniversário de Elaine Tarantino. O bolo estava com aquela cara de... de bolo mesmo. Bolo branco, com recheio de brigadeiro branco, glacê duro por fora. Uma tentação à qual eu resisti. Só Deus sabe como, mas resisti. E o primeiro pedaço ela ofereceu a mim. Delicadamente não aceitei, fui até a cozinha e descolei uma tangerina. Estava ótima. Ótima. Amo tangerina, sabia? Amo tangerina, amo tangerina. Fiquei repetindo essa frase até o bolo acabar, o que durou mais ou menos sete minutos. Confesso que durante o processo acabei com uma certa raiva da tangerina.

Sétimo dia

Uma semana de dieta e eu emagreci 1 quilo e 400 gramas. Só? O médico disse que é assim mesmo, e que a idade também influencia nesse processo. Quer dizer: além de gorda, velha. Quase que ele perde a paciente. Estou frustrada, mas não vou desistir. Hoje eu tenho um queijo-e-vinho. Logo hoje, que eu estou supervulnerável. Amo queijos! E estou com vontade de tomar um porre! Mas vou segurar a onda. Afinal, a gente não pode ser fraca assim, só os fortes chegam a algum lugar!

Nono dia

Tomei um porre! Não segurei a onda! Sou humana!

Décimo segundo dia

Só comigo acontecem essas coisas. Cinco pessoas no trabalho foram sorteadas para passar um fim de semana num resort maravilhoso no Nordeste. Quem estava entre elas? Eu, claro. Neste momento crucial de pão diet e frango grelhado, eu lá, sorteada para ir ao resort. A mesa de comida desse lugar deve medir mais ou menos 10 metros. Que 10 metros! Dez metros deve ter o pãozinho do café-da-manhã. Vou levar vários livros.

Décimo quinto dia

Chove horrores. Eu aqui, trancada no quarto do resort. O que por um lado é bom, porque não dá para sair: as comidas te atacam. Você come o dia inteiro, é impressionante. Todos os tipos de comida do mundo, e a qualquer hora. A comida grita, te chama, berra, enquanto você não prova ela não te dá sossego. Passei a pedir o café-da-manhã no quarto, mas nem deixo o garçom entrar com a bandeja. Quando ele chega, eu espartanamente pego o pão integral, a ricota e o bule de café e digo um sonoro tchau para ele. Depois, corto os pulsos.

Décimo oitavo dia

Engordei 2 quilos. Devo estar com problema de tiróide, só pode ser. Tudo bem, eu comi no resort, mas, espera lá: você faz tudo certinho e, aí, dois dias que saia da dieta põem a perder tudo que conquistou em quinze dias. Para mim, é tiróide. Vou fazer um exame.

Vigésimo dia

Não estou com problema nenhum de tiróide, graças a Deus. Então é sinal de que eu comi muito mesmo. Agora começa a operação spa – "sparadrapo" na boca. Encontrei a Gisele. Como ela está magra! Fiquei impressionada. Perguntei o que tinha acontecido, ela disse que tinha se separado. Lembrei que separação emagrece. Fiquei mais deprimida ainda, porque nem um namorado eu tenho para poder me separar. Nem que fosse só para emagrecer. O problema da dieta é que chega uma hora em que você não consegue mais comer aquelas mesmas coisas e parece que vai ficando louca. Por exemplo, hoje eu vi uma foto da vista aérea de Nova York. Quantos prédios, todos tão juntinhos, um do lado do outro, tão arrumadinhos... Fiquei olhando a foto, e sabe o que a imagem me lembrou? Batatas fritas do McDonald's. Elas vêm assim, milimetricamente arrumadas, uma do lado da outra. Me deu vontade de batata frita. Olha o ponto a que cheguei.

Vigésimo segundo dia

Hoje eu vou comer um bife. Ah, vou. Vou aproveitar que é aniversário do meu pai e propor uma ida à churrascaria. Um bife não pode fazer mal a ninguém. Sonhei com um churrasco e vou realizar meu sonho. O inconsciente sabe mais de você do que o consciente. Se eu cheguei a sonhar com picanha é porque meu corpo está necessitando disso. Adoro picanha. Malpassada, com aquela gordurinha crocante do lado. Nossa, só de pensar eu babo.

Não dá para sair com família. Você começa a falar muito e a comer ao mesmo tempo, perde a noção do que está fazendo... Conclusão, saí da churrascaria me sentindo a própria vaca. Estou chegando à conclusão de que existe uma coisa de constituição, e a minha talvez seja de não ser magra nunca. Vou me deitar. Crianças costumam pensar em ovelhas pulando a cerca para acalmar suas angústias na hora de dormir. Eu vou procurar pensar em ovelhas no pasto, nada mais plácido do que isso, imaginar que elas não passam por nenhuma espécie de crise, e sua dieta se limita a... capim, capim, capim, eternamente capim. Verde à vontade.

Vigésimo quinto dia

Por incrível que pareça, acho que desta vez vou atingir o meu objetivo. Vou conseguir me livrar dos 5 quilos definitivamente. Depois de amanhã vou ao médico, e acho que perdi pelo menos 3 quilos. Não, 3 não, por conta da churrascaria, mas 2 e meio, com certeza. Mais um pouquinho de persistência e perco os 2 e meio que faltam. Daí para a frente, tudo fica mais fácil. As roupas vão entrar melhor no corpo, vou poder usar uma miniblusa sem medo dos pneuzinhos saltando para fora, tudo vai ser um estímulo para permanecer magra.

Vigésimo sétimo dia

Fui ao médico. Perdi 1 quilo. A única palavra que encontro para resumir o que sinto é ódio.

Trigésimo dia

Chega, parei a dieta. Chega de franguinho, peixinho, barrinha. Não parei só essa dieta, parei todas. NUNCA MAIS VOU FAZER DIETA NA VIDA. Sofrer tanto para chegar ao fim do mês com o mesmo peso com que eu comecei? Eu sou assim. Eu sou "fofinha" e sempre serei. Rasguei todas as fotos de Gisele Bündchen, Daniela Cicarelli e outras mais. Eu nunca vou ser assim. Nunca mais, nunca mais. Quer dizer, quando chegar perto daquela festa, eu com aquele vestido novo me esperando... quem sabe?

Por Heloísa Périssé

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Amigos

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor. Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências. A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. É delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí. E me envergonho, porque essa minha prece é em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer. Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que não desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos! A gente não faz amigos, reconhece-os.

Por Vinícius de Moraes

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Afinidade

Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos
É o mais independente também.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.
Ter afinidade é muito raro.
Mas, quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras. é receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com,
Não é sentir contra,
Nem sentir para,
Nem sentir por,
Nem sentir pelo.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. é olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida.

Por Arthur da Távola

Amores Mal Resolvidos

Amores, passageiros ou não, nascem para ser vividos...

Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40º, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade. Metade deste povaréu sofre de Dor de Cotovelo.

Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos tem um amor mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação.

Por que isso acontece?

Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto.
Acho que as pessoas não gastam seu amor.

Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim.
Você sabe, o amor acaba.
É mentira dizer que Não.
Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais.
Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: lembranças, amizade, parceira, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim.

Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote.
O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia sem falar do tempo que ninguém tem para esperar.
E tem que ser vivido em sua totalidade.
É preciso passar por todas as etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim.
Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores.

Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez.

Gaste seu amor.
Usufrua-o até o fim.

Enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize.
Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade.
Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo.

Isso é que libera a gente para Ser Feliz Novamente.

Por Arnaldo Jabor

domingo, fevereiro 21, 2010

A Solidão

Ela vem como um anjo, como uma criança inocente, dando-nos a esperança que ela nos trará a alegria e a paz que até agora não havíamos achado.

Num certo momento, vimos que tudo está como não era antes.
Achamos o que menos desejávamos:
A Solidão.

A Solidão é assim:
em certos momentos nos traz a paz em estarmos só, mas em outros, nos traz arrepios e calafrios em estarmos inseguros, sem ninguém para nos proteger.

O Anjo veda nossos olhos com uma faixa negra e nos põe em um quarto, onde as paredes são repletas de espinhos e nos faz incapazes, transformando-nos em pessoas frias e inúteis.

A única maneira de nos livrarmos dela, é apenas descruzarmos os braços e arrancar com toda ferocidade o que nos cega, é termos coragem para enfrentar o obscuro.

Só assim conseguiremos ver que nas paredes, além de espinhos, haviam flores, lindas flores, e que no outro lado daquela faixa negra, o anjo havia escrito que a felicidade só dependeria de mim, só dependeria do meu amor.

Por Briscio Dória

Você

Você, que há tanto tempo eu conhecia, e, no entanto, nem amizade existia de repente a amizade, talvez o amor, e, nessa mistura de sentimentos, nos olhamos, nos confidenciamos; deixamos viver, somente a amizade.

Você, que por qual motivo não sei chegou, fazendo-me sentir saudades, dominando, fascinando, numa importância tamanha, que gostar é pouco, palavras também, para definirem, o que nem um poema pode explicar.

Você, que me confunde, me transtorna, e com a mesma intensidade, alivia, olhando-me insinuante, envolve-me: deixando um silêncio enorme em nossos corações.

Você, com sua amizade, sua ternura, nos reforça, nos une, tornando cada vez mais difícil a convivência, não sabendo quando é amor, não sabendo quando é amizade, ou se sempre estão juntos.

Você, que um dia me abraçou, beijou-me, querendo por um tempo a meu lado ficar e desfrutar o momento, onde o seu olhar percorre o meu corpo, e, sua mão tocar-me numa pureza tão divina, quanto o próprio carinho que nos envolvia.

Você, que depois de ler e entender a profundidade existente, o porquê de sentirmos atraídos, o medo do que possam pensar, talvez encontre a resposta, pensando nos momentos que poderemos estar juntos, momentos que com certeza adoramos.

Eu

Por Autor Desconhecido

sábado, fevereiro 20, 2010

Saudade

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.

Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

Por Miguel Falabella

O Que Eu Também Não Entendo

Essa não é mais uma carta de amor, são pensamentos soltos traduzidos em palavras, pra que você possa entender o que eu também não entendo.

Amar não é ter que ter sempre certeza,
É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém,
É poder ser você mesmo e não precisar fingir ,
É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir ,

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito mas com você eu posso ser
Até eu mesmo que você vai entender

Posso brincar de descobrir desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranqüilo, tranqüilo

Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também

Por Fernanda Mello e Rogério Flausino

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Se eu morrer antes de você...

Se eu morrer antes de você faça-me um favor:
Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado.
Se não quiser chorar, não chore.
Se não conseguir chorar, não se preocupe.
Se tiver vontade de rir, ria.
Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão.
Se me elogiarem demais, corrija o exagero.
Se me criticarem demais, defenda-me.
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam.
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.
Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver.
E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase:
- "Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!"
- Aí, então, derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal.
Outros amigos farão isso no meu lugar.
E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu.
Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus.
Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele.
E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele.
Você acredita nessas coisas?
Então ore para que nós vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito.
Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo.
Mas, se eu morrer antes de você acho que não vou estranhar o céu...
"Ser seu amigo já é um pedaço dele."

Por Chico Xavier

sábado, fevereiro 06, 2010

Amor Pra Recomeçar

Eu te desejo não parar tão cedo
Pois toda idade tem prazer e medo
E com os que erram feio e bastante
Que você consiga ser tolerante
Quando você ficar triste
Que seja por um dia, e não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero

Desejo que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor pra recomeçar

Pra recomeçar

Eu te desejo, muitos amigos
Mas que em um você possa confiar
E que tenha até inimigos
Pra você não deixar de duvidar
Quando você ficar triste
Que seja por um dia, e não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero

Eu desejo que você ganhe dinheiro
Pois é preciso viver também
E que você diga a ele, pelo menos uma vez,
Quem é mesmo o dono de quem

Desejo que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor pra recomeçar

Pra recomeçar

Por Frejat/Mauricio Barros/Mauro Sta. Cecília

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Acho a maior graça. Tomate previne isso,cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...


Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!

Por Luís Fernando Veríssimo

DAR NÃO É FAZER AMOR

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar

Experimente ser amado...

Por Tatiane Bernardi